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MONTEREY POP FESTIVAL '67

Monterey County Fairgrounds 
2004 Fairground Road

Em 1967, Monterey era uma cidade de 26.000 habitantes situada a 160 km ao sul de San Francisco, Califórnia. A cidade já abrigava o Monterey Jazz Festival desde 1958, um consagrado festival de Jazz que já recebera nomes como Billie Holiday, Louis Armstrong, Modern Jazz Quartet, entre outros. Nas edições do evento, o público presente costumava ser de 5 a 10 mil pessoas. Monterey portanto já tinha experiência em receber grandes públicos para shows. A localização geográfica também facilitava, ficava entre Los Angeles e San Francisco, dois grandes centros musicais dos Estados Unidos nos anos 60.

Produtor Lou Adler, John and Michelle Phillips do Mamas & The Papas, (1967) 

Vale lembrar que, os recursos financeiros arrecadados com o festival e subseqüente vendas relativas ao filme e o disco foram direcionadas para a Fundação Monterey Pop, que permanece ainda hoje auxiliando causas de importância, como por exemplo, a clínica gratuita de Haight Ashbury. O preço do ingresso variava de $ 3 a $ 6,50 por assento.

Confirmada a realização do evento, para os dias 16 (sexta), 17 (sábado) e 18 (domingo) de junho de 1967, faltava definir o staff. Alan Pariser ficaria como co-produtor. Derek Taylor, que já tinha trabalhado com Brian Epstein (empresário dos Beatles), seria o publicitário. Tom Wilkes foi contratado como o diretor de arte e um conselho de administração foi estabelecido e consistia em uma constelação de astros formada por: Mick Jagger, Donovan, Paul McCartney, Jim McGuinn, Terry Melcher, Andrew Loog Oldham (gerente e produtor dos Rolling Stones), Alan Pariser, Brian Wilson (Beach Boys), Johnny Rivers, Smokey Robinson, John Phillips e Lou Adler.

O ímpeto para realizar o The First Annual Monterey International Pop Festival, em 1967, teve início com uma reunião noturna na casa de Mama Cass Elliot, vocalista do The Mamas & The Papas. Paul McCartney, John Phillips (líder do The Mamas & The Papas), Cass e o produtor Lou Adler (que abriria em 1973 o lendário The Roxy Theatre, em West Hollywood) estavam debatendo e questionando a percepção geral sobre o Rock ‘n’ Roll naqueles anos. Se por um lado o jazz era considerado uma forma de arte, por outro, o rock era continuamente visto apenas como uma tendência e uma moda passageira. Ambos gêneros musicais tinham algo em comum, tinham nascido na América.

 

A ideia inicial para realizar o Monterey Pop festival veio de Alan Praiser, um promoter, que havia assistido, em 1966, a edição do Monterey Jazz Festival daquele ano. John Phillips e Lou Adler foram abordados por Alan Pariser e seu sócio, o também promoter Ben Shapiro, que queria contratar The Mamas & The Papas para encabeçar um concerto de blues e rock idealizado para também acontecer no Monterey Fairgrounds. Como conta a história, após a conversa, por volta das três horas da madrugada, John e Lou tinham acenado positivamente. Influenciados principalmente pelo espírito California Dreamin', de que seria acima de tudo, um evento beneficente. Tinham seis semanas para que tornassem o Monterey International Pop Festival, com três dias de evento e sem fins lucrativos, uma realidade. 

Ingresso para os shows do dia 16 de junho, (1967)
Otis Redding em detalhe no Monterey Pop, (1967)

Simon & Garfunkel, The Mamas & The Papas, The Butterfield Blues Band, The Electric Flag e outros nomes foram confirmando a presença. Faltava a representatividade da região Northern California. Andrew Oldham e Lou Adler, da organização, se encontraram com Ralph J. Gleason, respeitado jornalista do The San Francisco Chronicle, e ele, assim como o promoter Bill Graham, aprovaram o festival. Isso abriu as portas do evento para os grupos de San Francisco. Big Brother and The Holding, com Janis Joplin; Jefferson Airplane, Moby Grape e The Grateful Dead assinaram em seguida. Trinta e três atrações representariam o contemporâneo american rock, british rock, folk rock, progressive, jazz, african, east indian e o blues. Como afirmou Andrew Oldham “Monterey Pop Festival foi o primeiro grande festival de rock” e foi o que potencializou e abriu os horizontes para a nova música e o movimento hippie. Monterey tornou-se modelo para futuros festivais, principalmente para Woodstock, em 1969.

Ficou acertado que as atrações incluiriam representantes de todos os gêneros da música contemporânea e todos artistas seriam tratados da mesma forma com viagem na primeira classe e acomodações de primeira. A maior parte dos artistas e bandas apresentaram-se gratuitamente com apenas as acomodações e despesas de viagem pagas pelos organizadores. O músico indiano, Ravi Shankar foi o único artista a receber para tocar no Monterey Pop Festival por força de um contrato anterior. O valor foi de US$ 3 mil, muito baixo para a época.

 

A maioria dos grupos entraram rapidamente de cabeça no projeto, principalmente as bandas de Los Angeles:  The Byrds e The Buffalo Springfield. Phil Walden, empresário do cantor Otis Redding também percebeu que Monterey seria perfeito para Otis, que morreria tragicamente alguns meses depois em um acidente aéreo, com apenas 26 anos. Brian Jones, fundador dos Rolling Stones, disse após a apresentação de Otis em Monterey: “Nem por U$ 1 milhão subo no palco depois de um show de Otis Redding”.
 

Poster oficial 
The Who no grande final quebrando os instrumentos, (1967)
Encontro de mitos, Brian jones e Hendrix, (1967)

Embora já fosse um grande nome no Reino Unido, o The Who estava ganhando certo reconhecimento na América após algumas apresentações dois meses antes em New York. No final da performance de My Generation, a platéia ficou chocada ao assistir Pete Townshend destruir sua guitarra, as explosões de bombas de fumaça atrás dos amplificadores e Keith Moon chutar seu kit de bateria deixando o palco em seguida. Toda equipe de apoio do festival atuou freneticamente para recuperar os caros microfones.

 

 

O comentado impasse entre Townshend e Jimi Hendrix, pois um não queria se apresentar após o outro, já que ambos tinham planejado destruir seus instrumentos como parte do set, foi definido num cara ou coroa, com o The Who vencendo e tocando primeiro. Assistindo mais tarde da plateia a apresentação de Hendrix, Mama Cass, do The Mamas & The Papas, virou para Pete Townshend e comentou: "Ele está roubando sua apresentação" e Townshend disse "Não, ele não está roubando minha apresentação. Ele está fazendo minha apresentação". Avançando na explicação, Townshend disse "para mim, isto era uma atuação e para ele, isso era algo mais. Era natural, uma extensão do que ele estava fazendo e sentindo no palco".

Monterey foi a primeira grande apresentação nos EUA de Jimi Hendrix (que foi incluído devido à insistência de Paul McCartney). Brian Jones, fundador dos Stones, fez questão de voar da Inglaterra para Monterey para apresentar Hendrix ao público. Durante a execução de Wild Thing, Hendrix incendiou sua guitarra jogando fluido de isqueiro sobre ela e ateando fogo. A cena é considerada por muitos a imagem épica e definitiva de toda a história do rock. Mamas & Papas tocaram em seguida a Hendrix e tiveram que esperar cerca de vinte minutos para que o palco fosse arrumado e deixado em condições do evento prosseguir.

O festival também apresentou ao grande público a cantora branca de voz negra Janis Joplin. Após uma apresentação antológica a frente do Big Brother and The Holding Company, Janis começaria a sofrer pressões para que deixasse a banda e seguisse em carreira solo. Os principais executivos das gravadoras estavam na plateia, por isso a maioria das bandas fecharam contratos de gravação depois de suas apresentações em Monterey. 


Outros artistas também foram notados por sua ausência no eventol: os Beach Boys não puderam comparecer devido à problemas com a recusa do vocalista Carl Wilson de se registrar no festival. O músico britânico Donovan teve seu visto de entrada nos Estados Unidos recusado por ter sido preso com drogas, em 1966. Bob Dylan foi convidado mas recusou participar, pois ainda se recuperava do grave acidente de moto sofrido no ano anterior. Hendrix homenageou Dylan tocando Like a Rolling Stone.

Grandes ausências logicamente foram os Beatles, até havia rumores de que fariam uma apresentação relâmpago, o que foi logo desmentido. Dizem que estavam ressabiados por causa dos problemas enfrentados, em 1966, por conta da reação à histórica entrevista de Lennon que declarou: “O cristianismo vai se acabar, vai se encolher, desaparecer. Eu não preciso discutir sobre isso, eu estou certo. Jesus era legal, mas suas disciplinas são muito simples. Hoje, nós somos mais populares que Jesus Cristo.” Já os Stones não tocaram por causa das recentes prisões por drogas de Mick Jagger e Keith Richards. Os ingleses do The Kinks também foram convidados mas não conseguiram o visto de trabalho para entrar nos Estados Unidos.

Hendrix e o final apoteótico em Wild Thing, (1967)
Big Brother and The holding Company, (1967)


Os Monkees eram a atração musical que mais vendia discos nos Estados Unidos no ano de 67 e se considerou seriamente a participação do grupo no evento. Mas após semanas de ponderações, John Phillips e Lou Adler decidiram não incluí-los. No entanto, os membros do grupo Micky Dolenz (usando um cocar indígena) e Peter Tork assistiram o festival e se socializaram com os músico no backstage.

Em homenagem ao evento, John Phillips escreveu a música San Francisco (Be Sure to Wear Some Flowers in Your Hair) que deu para Scott McKenzie gravar no seu primeiro álbum, lançado pela gravadora de Lou Adler, pelo selo Ode Records. O motivo de John Phillips ter dado a canção para McKenzie, em vez de gravá-la ele mesmo com sua banda The Mamas & The Papas, é um mistério. Scott McKenzie alcançou o quinto lugar na parada de sucessos americana, quase que imediatamente, e ficou tão famoso quanto The Mamas & The Papas. Eric Burdon and The Animals tocaram no festival logo após Johnny Rivers e foram apresentados ao público no palco por Chet Helms, responsável por descobrir Janis Joplin. A música Monterey foi composta por Burdon como tributo as experiências do grupo no festival. A música, que descreve toda a atmosfera do evento, se transformou num dos principais hits da banda inglesa. Realizada como single no mesmo ano de 67, alcançou a 15ª colocação nas paradas americanas.
 

Paul Simon, Michelle Phillips, Micky Dolenz dos Monkees e David Crosby, backstage, (1967)

Mais de 200 mil pessoas compareceram ao festival, que foi considerado fundamental para consolidar o Summer of Love '67. No espírito de paz e amor, tudo transcorreu sem problemas durante os três dias que durou. Boa organização, bebida, comida e acomodações para todos. O chefe de polícia de Monterey, Frank Marinello, chegou a dispensar metade do efetivo policial deslocado para o evento, antes do festival terminar. Ele afirmou nunca ter visto multidão tão pacífica.  O festival foi filmado e se transformou em um aclamado documentário dirigido por D. A. Pennebaker, intitulado Monterey Pop, lançado nos cinemas em 1968.

 

Brian Jones na segunda fila em Monterey, (1969) 

Monterey Pop Official Trailer, 1968

Cartaz do filme oficial de 1968

             Friday, June 16

 

The Association
The Paupers
Lou Rawls
Beverly
Johnny Rivers
Eric Burdon and The Animals
Simon & Garfunkel

Saturday, June 17

 

Canned Heat
Big Brother and The Holding Company
Country Joe and the Fish
Al Kooper
The Butterfield Blues Band
The Electric Flag
Quicksilver Messenger Service
Steve Miller Band
Moby Grape
Hugh Masekela
The Byrds
Laura Nyro
Jefferson Airplane
Booker T. & the M.G.'s
The Mar-Keys
Otis Redding

MONTEREY POP
LINE UP '67

             Sunday, June 18

 

Ravi Shankar
The Blues Project
Big Brother and The Holding Company
The Group With No Name
Buffalo Springfield (played with David Crosby)
The Who
Grateful Dead
The Jimi Hendrix Experience
Scott McKenzie
The Mamas & the Papas

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